Sentados numa sala a meia luz, velas e lampadas incandecentes iluminavam toscamente um ambiente pálido habitado por nós dois. Olhava você e atirava palavras quaisquer ao ar, sufocando-as pelas gargalhadas eufóricas que expressavam o quão contente estava por estar em sua companhia.
Amigo de longa data, parceiro de crimes, eterno companheiro, herói, quanto tempo não te via, quanto anos esperamos pra nos perder em meio a goles de bebida barata e gargalhadas pelas graças da vida passada.Estava eu radiante.
Porém num gesto abrupto, solene e muito breve, uma fração de minuto tão tênue que quase não percebi, aquilo que fizeste me cativou algo adormecido. Algo que de imediato não soube dizer o que é, precisei sentar-me as sós pra refletir sobre aquela estranha lembrança que me trouxeste.
Será que alguma vez alguém já lancou-lhe um olhar, alguém próximo, que conviveste.
Revelou algo singelo mas que te remeteu a algo que sabia exatamente a origem. Algo teu.Sorriste pra mim por um segundo como eu sorria pra ti no anos que enterramos juntos, sorriste de uma maneira sincera, um sorriso livre, de uma forma que não conseguia mais sorrir, pois havia perdido a capacidade.
Fizeste minha mente viajar em busca de pedaços de mim que não existiam mais, pois os havia deixado há muito tempo. Senti apenas uma vazio imenso, não saberia explicar…Meu rosto se encheu de expressão e trêmulo abortei lágrimas que não queria compartilhar contigo. Fiquei pela primeira vez em minha via completamnte oco, a sua frente contamplando-o como um tesouro, como um eu que jamais existirá novamente. Tão doce,Tão livre, Eterno.






